Erros/Lições dos ultimos 3 anos de Reef

Em destaque

Nunca usar GFO na quantidade anunciada pela marca

seja pelo facto de diminuir os niveis de fosfatos bruscamente ou de libertar ferro, a entrada de GFO provoca RTN em calendriuns/pocciloporas… – No nosso caso o uso de GFO, mesmo em quantidades muito pequenas parece provocar sempre esse efeito inicial… (perdi algumas calendrium, histrix e poccilopora à conta disso)…apos retirar o GFO e algumas TPAS o rtn fica restringido às colonias que começaram!!

Ter sempre medidores de valores de 2 marcas

Porque? Porque há sempre variações entre marcas e nunca sabemos qual é o mais acertado, mas sobretudo porque nos podemos deparar com um teste estragado ou não funcional, sem sabermos!! Foi o que nos aconteceu…Durante meses os nossos nitratos supostamente estariam a 1-2ppm…mas quando trocamos por reagentes novos descobrimos que afinal os nitratos estavam a 30 ppm… Passei a ter medidores de 2 marcas que vou alternando ou meço os valores como controlo do sal que faço, da Red Sea, que sei os valores que é suposto ter de todos os parâmetros!

Não usar UV 24/24h …

apesar de ser util para a manutenção dos peixes saudáveis e livres de doenças, parece ser prejudicial ao corais, SPS e LPS, pelo facto de matar muitas bacterias que supostamente serão alimentos deles! Penso que a nossa experiência também nos demonstrou isto ao longo destes anos!  Achoq eu convém na mesma ter UV para evitar surtos de doenças que se podem tornar fatais para todos os peixes, mas o ideal é ligar 24h quando entram peixes novos durante 1 semana e depois reduzir para apenas algumas horas por dia! No nosso caso temos tido sucesso assim…

Balling Light…tentar sempre manter os valores: Ca 400, Mg1250, Kh 8

Valores de Ca muitos elevados na ordem dos 500 geralmente provocam morte de alguns corais!! Na nossa experiência é sempre preferivel ter valores mais baixos do que valores muito altos de KH e Ca… Tivemos um episodio de descontrolo de Ca e KH que atingiram valores de 500 e tal e de 10 ou 11 que provocaram a morte de alguns SPS…Istoa conteceu a seguir a um episodio de AEFW que nos atacou as acroporas e assim dimuiu os consumos bruscamente…

TPAS, TPAS, TPAS….quantas mais melhor

Mas sempre com os parametros iguais aos que temos ou queremos manter no aquario, caso contrario desiquilibra-se a adicções de balling! Dai que a escolha de um sal que tenha os valores ideias de agua de um Reef seja imperativo!! Nós usamos neste momento o sal Red Sea normal! No passado, com a introduçao do novo sal da Red Sea Coral Pro que apresenta valores muito elevados de KH (12) e de Ca (480), a 1,025 provoco nos um desequilibrio de valores no aquario que levou a perda de varios corais!!! Entre 10-20% por semana é o que faço agora com bons resultados.

Aspirar areão e sump pelo menos 1 vez por mês

De facto o não aspirar do areão, seja ele de 1 ou 3/4cm, leva ao acumular de muitos detritos que não chegam a à sump e dessa maneira não são retirados nem pelo escumador, nem pelo filter-bag! Assim é essencial aspira-lo com pelo menos 1 vez por mes, em todas as areas que se conseguir. O aspirador da Hagen é de facto muito facil de usar e eficaz e pode-se mesmo ver a quantidade de sujidade que se acumula no areão quando se está a aspirar…

Alimentar LPS/SPS com comida natural e não suplementos

A utilização de suplementos na alimentação de corais deve ser evitadas pois muitos deles apesar de alimentarem bem têm o reverso da medalha que é aumentarem muito os niveis de nutrientes na água, como fosfatos e nitratos a níveis intoleráveis! Assim de acordo com a nossa experiência a alimentação dos LPS basta ser feita apenas 1 vez por semana, no periodo da noite do aquario, com um mix de comida congelada (cyclops, rotiferos, red plankton, artemia), em que previamente se tenha retirado o excesso de liquido que contem fosfatos dispensaveis! Os SPS acabam por se alimentar também dos restos desta sopa bem como dos detritos dos peixes e dos restos de comida dos peixes! A alimentação dos SPS pode quando muito ser completada com a adição de phytplanton vivo , mas com cuidado para não sobrecarregar o aquario de nutrientes!

Eficiente exportação de nutrientes (nitratos/fosfatos)

Muito importante a longo prazo…ao inicio as tpas e um bom escumador vão resolvendo o assunto, mas com o passar dos meses e acumulação de detritos, mesmo com limpezas, começa a não ser suficiente e daí ser uma desafio muito grande manter um aquário durante vários anos!! Na nossa experiência optamos por colocar macroalga Chamaetomorpha e mangues na sump para ajudar nesta remoçao de nutrientes mas mesmos assim com o passar do tempo vimos que não era suficiente, apesar de ajudar muito e ser uma grande almofada! Assim a utilização de bacterias e doseamento de carbono, quer sob a forma de vodka, vinagre, biopellets ou soluções comerciais parece ser uma das melhores opções para este fim… Qual das melhores…é dificil dizer! Nós usámos e estamos a usar neste momento uma solução comercial (Ultralife da Ocenalife…diria que será vodka/vinagre) que se tem revelado bastante eficaz na diminuição de nitratos e fosfatos com a adição de cerca de 8-11 gotas diarias!! Mas cuidado que o exagero nesta doseagem de carbono pode retirar demasiados nutrientes deixandos os corais “à fome”… corais pálidos, LPS mirrados e a morrer e anémonas stressadas…assim MUITA ATENÇÃO no doseamento….DEVAGAR e sempre a vigiar os valores de nitratos e fosfatos.

Ocellaris – Quadricolor

Ocelaris -Quadricolor

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Refúgio: Mangues & Macro Alga Chaetomorpha

Uma forma de conseguir complementar o escumador na função de remover os nitratos e fosfatos do aquário pode ser conseguido através do uso de um Refúgio. Um refúgio é simplesmente um aquário/recipiente que está ligado ao circuito da água do aquário e onde são colocados organismos vivos que de forma natural nos ajudam a manter o nosso aquário de recife. No caso do aquário que está exposto neste blog o Refúgio consiste em ter uma divisão na Sump própria para o que aqui foi descrito e que alberga uma espécie de macro alga e uma espécie de mangrove.

Inicialmente não estava previsto a utilização de mangues no sistema, no entanto mais tarde veio complementar o uso da macro alga por ter um efeito benéfico para o aquário e uma manutenção praticamente nula.

Setup

  • Sump com 3 divisórias, inserida na parte de baixo do móvel.

  • As raízes dos mangues foram colocados dentro de areia que está contida dentro dessas duas caixas plásticas na zona da bomba de retorno.

Iluminação

  • Mini-calha 2x 18w pll 6500K para a macro alga, by Aqua-Eden (possível observar na foto em cima)
  • Mini-calha com suporte no vidro 1x 18W pll 6500K, Blau

Mangrove – Mangue

Os mangues usados para este aquário foram os Red Mangrove Propagule (Rhizophora mangle), sendo que a luz que melhor se encaixa para estas plantas é aquela que é mais parecida com a luz natural, neste caso por volta dos 6500K. Podem-se usar os mais variados tipos de lâmpadas desde que se respeite o espectro e uma boa intensidade que a lâmpada emita. Os Mangues são de crescimento lento/médio e para além de consumirem os nitratos e fosfatos do aquário ao início e durante a formação e crescimento das raízes tendem a consumir bastante Magnésio.

  • Fotos mangues a 26 Fevereiro

  • Fotos mangues a 3 Junho

Como é possível observar pelas fotos existiu um crescimento bastante significativo estando alguns mais desenvolvidas do que outros.

O uso de Mangues no sistema tal como foi referido anteriormente é muito benéfico para consumo de nitratos e fosfatos, tendo sido isso provado em alguns estudos:

  • Nitratos

  • Fosfatos

No meu aquário desde que este completou o ciclo (1 mês), posso garantir que até agora e em 4 meses os nitratos e os fosfatos se têm mantido indetectaveis pelos Kit de medição da JBL. Claro que tudo influencia estes valores desde as TPA’s, ao escumador, as rotinas de manutenção, no entanto tenho a certeza que os mangues são uma grande ajuda para manter estes valores sempre controlados.

Existem pessoas que nas caixas plásticas onde estão as raizes dos mangues em vez de usarem areia de coral usam um produto chamado Miracle Mud que proporciona elementos e minerais que os Mangues vão absorver pelas raízes de forma a evitar que estes consumam magnésio e alguns trace elements da água e que os corais também precisam para se desenvolverem.

Fontes de informação sobre Mangroves/Mangues

Macro Algas

No segundo compartimento da sump foi colocada a macroalga Chaetomorpha. Esta alga é muito utilizada nos aquários de recife por ter um crescimento rápido e consequentemente consumir também rapidamente nitratos e fosfatos e por não libertar esporos ou outro tipo de sementes que mais tarde possam vir parar ao aquário principal e criem uma praga dentro do aquário. Uma alga também muito comum e que é usada nos aquários de recífe é a Caulerpa mas esta pode libertar esses esporos e portanto acaba por não ser muito aconselhado o seu uso no aquário.

  • Fotos da Chaetomorpha

Esta macro alga juntamente com os mangues constituem o refúgio do meu aquário.

No entanto existem outros tipos de macro algas como a Botryocladia uvaria que se caracteriza por ter uma cor avermelhada ou a Ulva sp. que pode inclusivamente ser encontrada na nossa costa e que vem dar as praias Portuguesas. Estas duas algas podem ser consumidas por peixes herbívoros caso eles lhe ganhem o gosto e consomem igualmente Nitratos e Fosfatos do sistema.

Geralmente as macro-algas consomem os nitratos e fosfatos a uma velocidade muito maior que os mangues devido ao seus muito rápido crescimento, no entanto requerem alguma manutenção (lavagem de 15 em 15 dias). Têm ainda duas vantagens que é a de servirem de filtro mecânico caso estejam na Sump e isto aplica-se à Chaetomorpha que como se pode ver nas fotos é muito densa e também acumulam imensos micro-organismos muito importantes para o sistema. Por exemplo copepods, que servem de alimento a muitos peixes que nos temos no nosso aquário, nomeadamente à família dos Mandarins (Dragonets).

Cura Rocha- Viva & Morta (Português)

Quando se começa a montagem de um aquário de recife, um ponto muito importante para o mesmo é a rocha que devemos colocar. Temos que decidir que quantidade de rocha, que tipo de rocha e a qualidade da mesma. Normalmente nas lojas Portuguesas é costume encontrar rocha Indonésia, Indonésia premium e Fiji. Existem muitos outros tipo no entanto foram estas duas as mais comuns que fui encontrando.

Existe também quem adicione rocha que vem de outras montagens, mas essa situação so acontece quando existe essa possibilidade, no entanto é preciso acautelar sempre que seja rocha nova ou de outro aquário á qualidade da mesma.

Normalmente podemos separar a rocha em 2 tipos. Rocha morta, isto é, rocha que foi retirada do mar/aquário e que foi colocada a secar perdendo todos os microorganismos e vida que continha. Esta costuma ser sempre mais barata.

Existe igualmente rocha viva, isto é, rocha que mantém toda a sua vida e microorganismos e portanto irá serve um “filtro” muito importante para alojar bactérias.

Antes de se colocar estas rochas no aquário deve-se proceder a um tratamento à parte das mesmas em recipientes durante algumas semanas de modo a garantir que ela vai entrar no aquário já com o ciclo iniciado.

O que vou descrever a seguir é a forma de como eu tratei 50Kg de rocha (22Kg viva + 28Kg morta) para o meu aquário de 430L de modo a garantir que começava com o pé direito logo ao encher o aquário pela 1ª vez.

A rocha viva usada foi a seguinte:

Devido a todo o processo de apanha e transporte a rocha não chega nas melhores condições a nossa casa portante torna-se importante trata-la.

Cura da rocha viva Fiji 22Kg:

  • Cubo com dimensões 50*50*50;
  • Começou com 40-50 litros de agua e foi gradualmente subindo até encher;

  • Salinidade 1.025;
  • Temperatura 25 ºC;
  • Coloquei uma bomba Tunze 3000l/h mais uma SunSun 3500 l/h para manter a água em alta turbulência com o objectivo de garantir o maior fluxo de água e a libertação de matéria morta;

  • O escumador entrou depois e la ficou a funcionar e a tirar porcaria do cubo e assim ajudar a baixar os valores de No2, No3;
  • Período de 3 semanas que a rocha teve a ciclar, no entanto á segunda semana ja estava impecável;
  • A rocha é muito boa. Muito porosa e cheia de vida e so assim se explica esta rápida recuperação;
  • Algumas mudanças de água de 50% ao incio, mas no total foram somente umas 5. (ao tar num cubo não gasto quase água nenhuma ao mudar 50%, porque caso fosse no tanque principal gastava imensa água e sal);
  • Neste período foi usada agua da torneira com AquaSafe e uns dias de repouso. Eu sei que devia ter usado agua RO/DI, mas não tinha a unidade de osmose instalada e propriamente calibrada;
  • Durante estas 3 semanas virei a rocha 2/3 vezes para ajudar a libertar matéria morta. Obviamente que cada vez que mexia os valores de NO2 e NO3 até rebentavam a escala icon_biggrin.gif;

Portanto basicamente a cura da rocha viva foi dessa forma e assim fiquei com a rocha em boas condições para entrar no aquário para a montagem.
Recomendo vivamente este processo. Tive imenso sucesso desta forma tendo inclusive a rocha viva desenvolvido algumas pequenas esponjas, coralina, etc durante o período no cubo mesmo com luminosidade praticamente nula.

Ao início os valores de NO2, No3 estavam tremendos, mas mas com o passar do tempo e a ajuda do escumador rapidamente os mesmos testes deram NO2 e No3 a níveis muito baixos e nessa altura percebi a quantidade de bactérias e a capacidade de filtração que as rochas acumulam.

Ciclagem de 28Kg de rocha morta:

  • Ficou repartida em 2 em tanques de plástico á parte também durante 3 semanas;
  • Cada tanque teve um aquecedor com agua a 25 ºC e uma bomba normalissima so a circular água. O aquecedor foi para ajudar a degradar a matéria morta. Para quem não sabe a rocha morta á simplesmente rocha viva mas que depois é passada por Lixívia! A minha até trazia ainda um mini caranguejo perfeitamente conservado e umas esponjas e mais umas coisas. Portanto ja podem imaginar a quantidade assombrosa de lixo que estas rochas trazem;

  • Ciclou em água doce;
  • Logo no primeiro dia agua super-amarela e um cheiro esquesito -> mudança total de água;
  • Nos dias seguintes a agua ia ficando cada vez melhor. Mais algumas mudanças de água;
  • Na 2ª semana quando a rocha viva deu sinais de estar estabilizada e tudo a zeros por curiosidade medi o NO2 da rocha morta e claro valores de rebentar a escala porque afinal de contas a rocha está morta;
  • Desde o primeiro dia adicionei em grandes quantidades de Sera Nitrivec para tentar colonizar a rocha e combater o NO2 e NO3, mas digo-vos que nao teve grande sucesso;

Portanto a rocha morta acabou por ser a maior dor de cabeça. Não voltei a medir mais nenhuma vez o NO2 á 3ª semana portanto não sei com andava. Mas a rocha morta é assim, por isso é que é morta e não viva icon_razz.gif
Mas penso que foi uma boa forma de a limpar, de a tentar colonizar de forma artificial e de a preparar ao máximo para entrar no tanque principal.
Nesta fase nunca misturei a rocha morta com rocha viva. Cada coisa para seu lado.

Após todo este processo que durou 3 semanas a rocha estava pronta para entrar para o aquário e assim ocorreu.
Espero que esta pequena descrição da minha experiência nesta matéria seja útil a quem pretenda acrescentar rocha ao sistema ou montar um novo aquário.